Veja quem votou para eleger Douglas Ruas presidente da Alerj; deputado deve assumir também o governo
Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj
g1
O deputado Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Alerj na tarde desta quinta-feira (26), em uma votação boi
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Com eleição questionada na Justiça e boicote da oposição, Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj e deve assumir o governo do RJ
Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj
Em uma eleição extraordinária boicotada e quesitonada judicialmente pela oposição, Douglas Ruas (PL) foi eleito ...
26/03/2026 14:49
Com eleição questionada na Justiça e boicote da oposição, Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj e deve assumir o governo do RJ (Foto: Reprodução)
Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj
Em uma eleição extraordinária boicotada e quesitonada judicialmente pela oposição, Douglas Ruas (PL) foi eleito o novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quinta-feira (26).
Com a vitória, de acordo com a linha sucessória, Douglas deve assumir também o cargo de governador em exercício do Rio, cargo ocupado nesta quinta por Ricardo Couto, presidente do TJRJ. Douglas tinha sido anunciado pré-candidato ao governo do estado pelo PL em fevereiro.
Quarenta e seis deputados, em um total de 70, participaram da votação, que foi anunciada no fim da manhã pelo então presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli (PL). Douglas foi eleito com 45 votos.
A votação foi aberta, com definição por maioria absoluta. Com a renuncia de Cláudio Castro e a cassação de Rodrigo Bacellar, o presidente da Alerj também será o governador. Após o resultado, alguns deputados aplaudiram Ruas e outros gritaram "golpista".
Ruas falando na Alerj como presidente pela primeira vez
Henrique Coelho/g1
A oposição tenta barrar judicialmente a eleição. Cotado para disputar a presidência da Alerj, o deputado Chico Machado (PSD) anunciou que desistiu da candidatura ao comando da Casa. Entre os argumentos da ação que tenta barrar a eleição desta quinta na Alerj, estão críticas ao fato da marcação da eleição antes da retotalização dos votos determinada pelo TSE depois da cassação de Bacelar.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marcou para terça-feira (31) a retotalização dos votos que vai alterar a composição da Alerj, após a cassação de Rodrigo Bacellar e a anulação dos 97 mil votos obtidos por ele.
Douglas Ruas abraça Delaroli
Henrique Coelho/g1
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Placar da votação para presidente da Alerj
Reprodução
Quem é Douglas Ruas
Douglas Ruas
Reprodução/Governo do Rio de Janeiro
Ruas é bacharel em Direito, pós-graduado em Gestão Pública e servidor concursado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
Entre 2017 e 2018, Douglas Ruas foi subsecretário de Trabalho de São Gonçalo (RJ), cidade onde seu pai, Capitão Nelson (PL), é prefeito.
Nos dois anos seguintes, foi superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), entre 2019 e 2020.
Em 2021, assumiu a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais em São Gonçalo.
Em 2022, foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro, com a segunda maior votação, com 175.977 votos.
Douglas Ruas declarou à justiça eleitoral um patrimônio de R$ 1,2 milhão em 2022. Na sua atuação como deputado, Ruas tem apenas oito projetos de lei apresentados na Alerj, nenhum deles relacionados a polêmicas.
Sua participação na Alerj está relacionada à atuação como Secretário de Estado das Cidades, cargo que ocupa desde setembro de 2023. A pasta das Cidades é responsável por investir em obras em parceria com prefeituras de todo o Estado.
Eleição na Alerj
Henrique Coelho/g1 Rio
Por que houve esta eleição
Guilherme Delaroli, atual presidente da Alerj
Cristiano Masruha/Divulgação
A Alerj estava sem um presidente titular desde 8 de dezembro, quando Rodrigo Bacellar (União Brasil) foi preso pela Polícia Federal (PF), a mando do Supremo Tribunal Federal (STF), suspeito de vazar informações para o então deputado TH Joias.
Na semana seguinte à prisão, o plenário da Alerj votou para soltar Bacellar, mas o ministro Alexandre de Moraes determinou o afastamento do deputado da presidência da Casa.
Bacellar, então, pediu sucessivas licenças do mandato, e a Alerj foi presidida por Guilherme Delaroli, o vice.
Na última terça-feira (24), Bacellar foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas por outro motivo — a condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, dentro do “escândalo do Ceperj”.
Por maioria de votos, os ministros do TSE entenderam que houve uso indevido da máquina pública por Cláudio Castro, Thiago Pampolha e Rodrigo Bacellar.
As suspeitas envolvem a Fundação Ceperj e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), com a contratação de milhares de pessoas sem concurso e salário em espécie, pago na boca do caixa.
No Legislativo, o vice não assume de vez a vaga do titular e só pode ocupar o cargo interinamente. Uma vez cassado o mandato de Bacellar, é necessário realizar uma nova eleição para a Mesa Diretora.
Desembargador Ricardo Couto, governador interino do RJ, durante coletiva nesta quarta-feira (25).
Reprodução TV Globo
Por que essa eleição interfere no Palácio Guanabara
A eleição desta quinta-feira vai interferir no governo do RJ.
Desde segunda-feira (23), o estado é governado pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o 1º numa linha sucessória repleta de desistências.
Cláudio Castro renunciou ao mandato numa tentativa de reverter o julgamento no TSE. O então governador acreditava que, uma vez abrindo mão do cargo, não haveria o que cassar, e a ação seria extinta.
Mas o TSE manteve o julgamento e o condenou, impondo uma inelegibilidade de 8 anos.
A medida abrangeria a chapa inteira, mas o vice de Castro, Thiago Pampolha, renunciou muito antes, em maio do ano passado, para virar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
Sem governador (Castro renunciou), vice (Pampolha renunciou) e presidente da Alerj (Bacellar cassado), o próximo da lista era Couto.
Recontagem levantou dúvidas
TSE torna Claudio Castro inelegpivel por 8 anos
Assim que Delaroli confirmou a data e o horário da votação, o deputado Luiz Paulo (PSD) questionou se o pleito teria validade.
Luiz Paulo lembrou que a cassação de Bacellar pode mexer na composição da Alerj. Como os votos que Bacellar recebeu na eleição de 2022 tornaram-se inválidos, uma recontagem terá de ser feita, com possibilidade de alterar o cociente eleitoral e o tamanho das bancadas.
Além disso, segundo Luiz Paulo, o suplente que herdará a vaga de Bacellar não teria tempo hábil para tomar posse e participar da eleição desta quinta.
“Ainda não chegou aqui na Alerj a retotalização dos votos. A Casa está com 69 deputados. Além disso, o STF está julgando a decisão do ministro Luiz Fux sobre mandato-tampão, que está publicamente ligado a essa questão. Então, faço um apelo ao bom senso para que essa eleição seja realizada depois de segunda-feira (30), porque o STF conclui o julgamento na segunda, após as 18h.”
Mas o deputado Filippe Poubel (PL) lembrou que, em 2019, na eleição do ex-presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), o processo ocorreu mesmo com 5 deputados presos na Operação Furna da Onça, resultando em 65 votos.
“Já abrimos essa brecha. O Ceciliano abriu uma votação à época com menos 5 deputados, e hoje estamos abrindo com menos 1. A eleição foi válida e promulgada. Isso criou um precedente para votarmos com 69 deputados”, afirmou.
Rodrigo Bacellar e Cláudio Castro
Reprodução
Comando do estado
Com as mudanças em curso, o Rio pode ter uma sequência rápida de trocas no comando do Executivo. Em pouco mais de um mês, o estado pode passar por quatro governadores diferentes:
Cláudio Castro, que renunciou;
o desembargador Ricardo Couto, atual governador em exercício;
o novo presidente eleito da Alerj;
e o governador escolhido na eleição indireta para o mandato-tampão.
No meio desse cenário, os eleitores do Rio de Janeiro também vão às urnas em outubro, para as eleições gerais, quando vão escolher o futuro governador do estado, que dará início ao mandato em janeiro.