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Irmã de Paulinho Sabiá foi ao Alemão e prometeu R$ 50 mil pela execução do capoeirista, mas deu calote, diz polícia
Investigação mostra motivação financeira para assassinato de capoeirista em Niterói
As investigações da Polícia Civil do RJ apontam que a irmã do mestr...
09/04/2026 08:18
Irmã de Paulinho Sabiá foi ao Alemão e prometeu R$ 50 mil pela execução do capoeirista, mas deu calote, diz polícia (Foto: Reprodução)
Investigação mostra motivação financeira para assassinato de capoeirista em Niterói
As investigações da Polícia Civil do RJ apontam que a irmã do mestre de capoeira Paulinho Sabiá, morto em Niterói em fevereiro, ofereceu R$ 50 mil para que o irmão fosse executado, mas só pagou R$ 10 mil. Adriana Souza Possobom Aragão de Miranda foi presa nesta quarta-feira (8). De acordo com a polícia, o crime teria motivações financeiras.
Além de Adriana, a polícia prendeu Juan dos Santos, o Juan do Alemão, que confessou ter pilotado a moto usada no homicídio e acusou Adriana como mandante.
A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí tenta agora identificar outros participantes do crime.
Na delegacia, Adriana não quis prestar depoimento. Ela afirmou que só vai falar depois que o advogado dela tiver acesso ao processo.
Reunião no Alemão
Segundo as investigações, Adriana conhecia um dos assassinos, que a levou para uma reunião presencial com comparsas dele no Complexo do Alemão.
“Ela já possuía uma relação anterior com um dos assassinos, e posteriormente ela foi pessoalmente até o Alemão levada por essa pessoa, onde inclusive fez uma reunião com o Juan, por exemplo, e ofereceu a eles R$ 50 mil”, disse o delegado Willians Batista.
“A gente acredita que [a recompensa] seria paga inclusive com o dinheiro [em espécie] que ela esperava encontrar na casa do irmão”, pontuou o delegado. Segundo as investigações, apenas R$ 10 mil de adiantamento foram entregues.
Ainda de acordo com a polícia, Adriana teria dado orientações para que a execução parecesse um latrocínio, ou roubo seguido de morte. “Ela pediu a eles que subtraíssem alguma coisa, algum bem dele, para ficar com aparência de um latrocínio”, detalhou Willians.
O delegado lembrou que, 2 dias antes da execução, Paulinho sofreu uma tentativa de homicídio, também em Icaraí. Segundo o registro de ocorrência, um homem chegou a apontar uma arma para a nuca da vítima, mas a arma falhou.
“Ela mostrou muita revolta quando eles não conseguiram atingi-lo dessa vez”, acrescentou o delegado.
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Adriana Souza Possobom Aragão de Miranda
Reprodução/TV Globo
Discussão sobre patrimônio
Um depoimento dado à polícia revelou que a namorada de Paulinho teve uma discussão com Adriana sobre o patrimônio da vítima.
Segundo o depoimento de Silmara Fátima Alencastro Silva, ela estava na casa em que morava com Paulo quando Adriana chegou, afirmando que ela teria que deixar o local.
A discussão aconteceu no dia 23 de fevereiro, 3 dias depois do enterro do mestre de capoeira.
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Para a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, não há dúvida de que a motivação do crime foi financeira.
“A Adriana já havia sido investigada anteriormente por um furto que Paulinho sofreu com relação a valores que ele tinha por hábito guardar, tanto em casa, quanto no estabelecimento que ele possuía”, disse o delegado.
A briga entre Silmara e Adriana teria sido, segundo o delegado, apenas um dos capítulos da discussão sobre o patrimônio de Paulinho.
Adriana, segundo Silmara, teria questionado várias vezes sobre os bens de Paulinho, entre os quais estavam a casa onde funcionava a escola de capoeira, 2 terrenos em Maricá, um carro, motos antigas e aplicações financeiras que somavam R$ 100 mil, além de valores não especificados de dinheiro vivo em casa, segundo a polícia.
“Adriana fez tudo o que podia, inclusive com emprego de advogado, para conseguir acessar o apartamento de Paulinho o quanto antes, obter as chaves o quanto antes, para o que a gente entende ser a busca por esses valores que ele guardava em casa”, apontou o delegado.
“A relação entre eles [Adriana e Paulinho] teve episódios com questões envolvendo brigas, sobretudo por conta de dinheiro, por conta de questão financeira.”
O crime
De acordo com a Polícia Militar, o capoeirista estava no banco do carona de um carro dirigido por Silmara quando, no cruzamento da Rua Sete de Setembro com a Rua Lemos Cunha, 2 homens em uma moto se aproximaram e fizeram disparos à queima-roupa.
Paulinho foi atingido por 3 tiros. Os criminosos fugiram em seguida.
A Delegacia de Homicídios assumiu a investigação logo após o crime. A perícia foi realizada no local, e agentes passaram a analisar imagens de câmeras de segurança e ouvir testemunhas.
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Reprodução
‘Meu irmão era especial’
Na ocasião da morte, a irmã de Paulo Cesar afirmou que desconhecia possíveis desavenças do capoeirista.
“Meu irmão era uma pessoa muito especial, muito querido por todos. Ele não tinha, que a gente soubesse, nenhum desafeto”, declarou no dia seguinte.
Adriana também esteve no enterro de Paulinho.