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      Júri sobre execução de Fernando Iggnácio é adiado para dois réus e prossegue apenas com um no Rio

      Rogério Andrade, sobrinho de Castor, foi preso por ser suspeito de mandar matar o rival Fernando Iggnácio (de óculos), genro de Castor. Reprodução TV Globo...

      Júri sobre execução de Fernando Iggnácio é adiado para dois réus e prossegue apenas com um no Rio
      Júri sobre execução de Fernando Iggnácio é adiado para dois réus e prossegue apenas com um no Rio (Foto: Reprodução)

      Rogério Andrade, sobrinho de Castor, foi preso por ser suspeito de mandar matar o rival Fernando Iggnácio (de óculos), genro de Castor. Reprodução TV Globo Apenas um dos acusados de participação na execução do bicheiro Fernando Iggnácio, morto em 2020, começou a ser julgado nesta quinta-feira (9), no 1º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio. O júri de Rodrigo Silva das Neves, apontado como miliciano e envolvido no crime, teve início por volta das 13h, com o depoimento da primeira testemunha, o policial civil Luciano Diniz. Inicialmente, também seriam julgados Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, o Pedrinho, e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro. No entanto, durante a sessão, ambos pediram a destituição do advogado que os representava, Flávio Fernandes. O defensor havia alegado insanidade mental de Pedro e solicitado a absolvição do cliente, pedido negado pelo juiz. Diante da decisão e da discordância com a estratégia da defesa, os dois réus optaram por dispensar o advogado. Com isso, o júri de Pedro e Otto foi suspenso e será remarcado. A sessão prosseguiu apenas com o julgamento de Rodrigo. Ele foi preso em janeiro de 2021, em uma pousada na cidade de Canavieiras, no sul da Bahia, onde estava escondido. Rodrigo, Otto e Pedro respondem pela execução de Fernando Iggnácio, ocorrida em novembro de 2020. Apontado como mandante, o também bicheiro Rogério Andrade está preso, mas não integra este julgamento. A defesa de Rodrigo nega as acusações e qualquer ligação com Rogério Andrade, e afirma que a investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios, que levou à prisão dos suspeitos, foi “uma farsa”. Até a última atualização desta reportagem, não havia retorno dos advogados dos demais envolvidos. Além dos três, um quarto suspeito participou do crime: Ygor Rodrigues Santos da Cruz, o Farofa. apontado como matador de aluguel, ele foi encontrado morto em novembro de 2022 no Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio. Ygor Farofa (E), o ex-PM Pedro Cordeiro (C), ao lado do PM Rodrigo das Neves (de boné): todos já identificados pela DH como suspeitos da morte de Fernando Iggnácio; no alto, um quarto suspeito Reprodução Otto Samuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro era policial militar da ativa em São Paulo Reprodução Relembre o crime Fernando Iggnácio, genro do contraventor Castor de Andrade, foi executado dentro de heliporto na Zona Oeste do Rio de Janeiro Luciano Belford/Agência O Dia/Estadão Conteúdo Iggnácio, genro e herdeiro do contraventor Castor de Andrade, foi executado em 10 de novembro de 2020 em uma emboscada no Recreio dos Bandeirantes. Ele tinha acabado de desembarcar de um helicóptero, vindo de Angra dos Reis, na Costa Verde, e foi alvejado ao caminhar até o carro. Os tiros foram de fuzil 556. Relembre como foi o crime. Segundo as investigações, a morte de Iggnácio foi encomendada por Rogério Andrade, sobrinho de Castor de Andrade e apontado por muitos como o maior bicheiro do Rio. Rogério Andrade é preso no Rio de Janeiro Reprodução/ TV Globo Rogério foi preso em outubro de 2024 e transferido em novembro para o Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Ele teria ordenado o crime em um aplicativo de mensagens criptografadas. "O cabeludo é o que interessa", disse Rogério nas mensagens interceptadas pelo Ministério Público. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Mesmo após pedidos de sua defesa, o STF negou a liberdade de Andrade, que segue preso e responde a um processo separado, onde chegou a acompanhar por videoconferência uma das audiências. Captura de tela mostra conversa de Rogério Andrade com o policial militar Márcio Araújo Reprodução Também foi preso o policial militar reformado Márcio Araújo de Souza, apontado como o contratante do quarteto e que se comunicava com Rogério no aplicativo de mensagens. Ele se entregou à polícia em fevereiro de 2021. Márcio também responde pelo crime em um processo separado. Gilmar Eneas Lisboa, ex-PM, também foi preso por monitorar os passos da vítima. Os trabalhos de vigilância começaram pelo menos 8 meses antes do crime, segundo o Ministério Público. Briga pelo poder tem longo histórico de atentados e mortes na família de Castor de Andrade Entenda a guerra pelo espólio de Castor de Andrade, que dura quase 30 anos com histórico de atentados, como o que levou Rogério à prisão Briga pelo poder Castor de Andrade era um dos chefões do jogo do bicho e morreu de infarto em 1997. Rogério era seu sobrinho e não herdou de pronto o espólio da contravenção. Coube a Paulo Roberto de Andrade, o Paulinho, filho de Castor, e a Fernando Iggnácio, genro do chefão, tocar o império. Saiba quem era Fernando Iggnácio, genro de Castor de Andrade que foi executado no Rio Na divisão, Iggnácio foi cuidar dos caça-níqueis, e Paulinho passou a tomar conta das bancas do bicho. Rogério, porém, considerava ter direito à herança e passou a disputar território com Paulinho e Iggnácio. Saiba quem é Rogério Andrade Paulinho foi assassinado em 1998, crime atribuído a Rogério, que assumiu o negócio do primo e começou a avançar sobre o de Iggnácio. Investigações da Polícia Federal mostram que a disputa entre Rogério Andrade e Fernando Iggnácio entre 1999 e 2007 resultou em 50 mortes — algumas foram de policiais, acusados de prestar serviços para os contraventores. O próprio Rogério foi vítima de uma tentativa de assassinato em 2001. Em abril de 2010, outro golpe. O filho de Rogério de Andrade, um jovem de 17 anos, morreu num atentado na Barra. Em vez do pai, era o rapaz que dirigia o carro quando uma bomba explodiu. Rogério acusava Fernando Iggnácio de ter sido responsável pelo crime.