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Justiça manda exumar corpo de bebê enterrado como indigente no Rio A Justiça do Rio determinou a exumação do corpo de um bebê que morreu poucas horas após o nascimento e foi enterrado como indigente. A medida prevê a realização de exame de DNA e um novo sepultamento, sem custos, para que os pais possam se despedir. Gael Marques Ferreira nasceu prematuro no dia 24 de agosto do ano passado, na maternidade do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, mas morreu horas depois do parto. “Estou muito triste, muito abalada. São sete meses vivendo essa dor”, disse Jennifer Marques, mãe do bebê. Sem dinheiro para o funeral, os pais optaram pelo sepultamento social oferecido pelo hospital. Segundo a família, eles não foram chamados para reconhecer o corpo e só receberam informações desencontradas sobre o enterro. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Pais de Gael cobram respostas e dizem que ainda não puderam se despedir do filho Reprodução/TV Globo “Não foi apenas uma dor. A primeira dor foi a da perda, e a segunda foi a de não saber o que de fato aconteceu com o corpo do nosso filho após o óbito”, afirmou Gabriel Marques, pai de Gael. Mensagens trocadas entre a família e a direção da unidade mostram contradições. No dia 2 de setembro, o hospital informou que ainda não tinha a data do sepultamento. Depois, disse que havia reservado uma sepultura no Caju. Já no dia 5, comunicou que a remoção do corpo tinha sido feita às 9h54 — segundo os pais, a mensagem só chegou mais de uma hora depois. A família foi até o cemitério, mas afirma que o corpo não chegou “Para nossa surpresa, ao chegar ao cemitério, ficamos de meio-dia às 18h e o corpo não chegou. Aí começou toda a nossa angústia, agonia”, contou o pai. Ainda de acordo com os pais, funcionários do cemitério disseram que o bebê teria sido enterrado como indigente. “Alegaram que o nosso filho foi enterrado, supostamente — porque eu não vi esse sepultamento —, como indigente. Mas nosso filho não é indigente”, disse Gabriel. Advogado da família aponta incongruências e aguarda esclarecimentos da Justiça Reprodução/TV Globo A situação também levantou dúvidas por causa de documentos oficiais. O primeiro termo de liberação do corpo estava com campos em branco. Depois, a família recebeu uma segunda via preenchida, com horários e registros de tentativas de contato que, segundo os pais, nunca aconteceram. “Existem várias incongruências que precisam ser esclarecidas. Nós não podemos adiantar nenhum juízo de valor. Estamos aguardando o rigor da Justiça para descobrir o que de fato aconteceu”, afirmou o advogado da família, Eduardo Cavalcanti. Até hoje, os pais dizem não ter um documento que comprove que o corpo enterrado no Caju é realmente o do filho. Decisão da Justiça O caso foi levado à Justiça, que determinou, no dia 16 de março, a exumação do corpo em caráter de urgência para a realização de exame de DNA. A decisão também prevê um novo sepultamento, sem custo para a família. Por enquanto, as únicas lembranças de Gael são as marcas das mãozinhas e dos pezinhos entregues pelos funcionários do hospital. “Eu quero saber pelo menos se é ele que está lá enterrado, para eu descansar um pouco meu coração. Não que eu não vá sentir a dor — não tem como não sentir —, mas saber que é ele que está enterrado”, disse a mãe. O que dizem os envolvidos Em nota, a direção do Hospital Municipal Albert Schweitzer informou que o pai concordou com a retirada do corpo da unidade e que, a partir desse momento, a responsabilidade passou a ser da funerária. O hospital disse ainda que o enterro foi realizado conforme nota fiscal emitida pela administração do cemitério. Sobre os documentos, a unidade afirmou que se trata de um formulário interno, com campos preenchidos em momentos diferentes, por funcionários distintos, e que não há irregularidade no procedimento. A concessionária Rio Pax informou que atendeu a um ofício do hospital, que classificava o corpo como “não procurado”. Segundo a empresa, o corpo foi retirado e encaminhado ao cemitério. A funerária responsável pelo Cemitério do Caju disse que o sepultamento foi realizado no dia 5 de setembro, seguindo todos os trâmites legais. A Polícia Civil informou que ainda não foi comunicada sobre a decisão da Justiça que determinou a exumação. Marcas das mãos e pezinhos são a única lembrança que os pais têm de Gael Reprodução/TV Globo