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      Musas de escolas de samba que vieram de comunidades fazem sucesso também como influenciadoras nas redes sociais
      Musas de escolas de samba que vieram de comunidades fazem sucesso também como influenciadoras nas redes sociais (Foto: Reprodução)

      Musas de escolas de samba que vieram de comunidades fazem sucesso também como influenciadoras nas redes sociais O RJ2 acompanhou a rotina de ensaios de três musas de escolas de samba que vieram de escolas mirins e quadras das comunidades, estouraram a "bolha" do carnaval e hoje em dia influenciam milhares de pessoas nas redes sociais. Com sandálias nas mãos, salto alto guardado para depois e o som da cuíca marcando o ritmo, o Carnaval já começou para Bellinha, Carol e Mayara. Nos ensaios de rua das escolas de samba do Rio, elas não apenas sambam: gravam, postam e viralizam. O que antes era só registro virou compromisso com milhões de seguidores nas redes sociais. As três têm trajetórias diferentes, mas compartilham algo em comum além do samba no pé: vídeos que se espalham rapidamente pela internet, acumulando milhões de visualizações. Bellinha Delfim, musa da Unidos do Viradouro, começou como passista e está há sete anos na escola. Hoje, seus vídeos são aguardados como parte do ritual dos ensaios. “Já virou um compromisso, não só meu comigo, mas com quem me acompanha. As pessoas esperam. Quando dá nove e meia da noite, já tem vídeo meu subindo”, conta. Ela explica que passou a pensar a dança também para quem assiste de casa. “Sempre enxerguei a dança como forma de comunicação. Quando entendi que podia coreografar pensando em quem está do outro lado da tela, isso mudou tudo. Venho focada na batida da bateria, na musicalidade, para mostrar que o samba faz sentido, tem conexão”, diz. Um dos vídeos mais vistos de Bellinha ultrapassou 12 milhões de visualizações. Nos ensaios, o público percebe essa energia. “A emoção é constante, desde a hora que chega até a hora que vai embora”, diz um espectador. Outro completa: “Aqui a gente já consegue imaginar como vai ser na Sapucaí”. Carol Macharethe, da Viradouro Reprodução/RJ2 Com o tempo, a exposição nas redes virou também profissionalização. Carol Macharethe, também da Viradouro, que cresceu em uma família totalmente ligada ao samba — com pai mestre-sala, avô ritmista e tia porta-bandeira — conta que tudo começou de forma simples. “Antes quem me gravava era um amigo. Eu só falava: ‘amigo, grava’. Aí comecei a fazer uns cortes e vi que a galera gostava. Passei a mostrar a energia do público, nossa troca”, relata. Segundo ela, conquistar visibilidade representa sair de uma 'bolha'. “Somos meninas oriundas de passistas, de comunidades, de escolas mirins. A gente sonha com espaço, luta por ele. Quando consegue, é gratificante demais.” Nos ensaios de rua, quase ninguém fica sem registrar. Fotos e vídeos são feitos o tempo todo — e, minutos depois, já estão circulando pelo mundo. Nessa rede, fã também é seguidor: torce, vibra e compartilha. Mayara Lima é um dos principais exemplos dessa virada digital. Rainha de bateria do Paraíso do Tuiuti, ela foi uma das precursoras da união entre samba e redes sociais. Em 2023, um vídeo viral mudou sua vida. “Foi um divisor de águas. Eu já era conhecida no mundo do samba, mas esse vídeo levou o samba para fora da bolha”, lembra. Em poucos meses, saltou de 75 mil para 900 mil seguidores. Hoje, Mayara tem equipe de comunicação, assessoria e agência. “Essa mudança só aconteceu por causa daquele vídeo”, diz. Ela também percebeu que o público queria mais do que assistir: queria aprender. A partir disso, passou a dar aulas e a levar o samba para outros países, como Austrália e Uruguai. Quem são as 12 rainhas de bateria do Grupo Especial do Rio? Conheça as histórias Mayara, rainha da Tuiuti, saltou de 75 mil para 900 mil seguidores Reprodução/RJ2 Para o Carnaval deste ano, ela já deu uma prévia do que vem por aí — e, mais uma vez, viralizou, misturando samba, afro e outras batidas. “Gosto de improvisar. Ouço a bateria, sinto o momento. O que você tem para oferecer agora? Chamei o Marcinho, da Imperatriz, para misturar samba com afro, merengue. Por que não trazer isso para a coreografia?”, explica. Além da projeção internacional, Mayara mantém o pé fincado na origem. Ela dá aulas para meninas da comunidade e virou referência para uma nova geração. “Quero ser rainha de bateria igual à Mayara Lima”, diz uma das alunas. Outra resume: “Acho que ela nasceu sambando. Nenhuma rainha é igual”. Consciente do papel que ocupa, Mayara fala da responsabilidade. “Sou oriunda de escola mirim. Só estou aqui porque depositei todo meu amor no samba e confiei que essa cultura poderia mudar minha vida. O samba é um pilar construtivo. A gente carrega o sonho de muitas meninas. Essa é a minha missão na frente da bateria.” Entre curtidas, compartilhamentos e milhões de visualizações, o samba segue cumprindo seu papel: tradição, transformação e sonho — agora também em tempo real, na tela do celular. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do Rio em tempo real e de graça Bellinha, da Viradouro Reprodução/RJ2