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PM preso como segurança de Rogério Andrade corrompeu policial da inteligência da PM, aponta MPRJ: 'Tem mil pra você'
PM preso como segurança de Rogério Andrade corrompeu policial da inteligência da PM, aponta MPRJ
As investigações do Ministério Público do Rio revelaram ...
29/01/2026 19:50
PM preso como segurança de Rogério Andrade corrompeu policial da inteligência da PM, aponta MPRJ: 'Tem mil pra você' (Foto: Reprodução)
PM preso como segurança de Rogério Andrade corrompeu policial da inteligência da PM, aponta MPRJ
As investigações do Ministério Público do Rio revelaram que Carlos André Carneiro de Souza, um dos presos na 2ª fase da Operação Pretorianos, realizada nesta quinta-feira (29), foi denunciado pelo MP por subornar um policial da ativa para obter informações sobre operações.
A operação mira a participação de policiais na segurança armada do contraventor Rogério Andrade. O bicheiro era alvo de um mandado de prisão, mas ele já estava encarcerado por outro processo, o da morte do rival Fernando Iggnácio.
As mensagens, trocadas em 2019 com o PM Gutemberg Dantas da Silva, então lotado na Subsecretaria de Inteligência, revelam como eles trocavam dados sensíveis.
MPRJ cumpre mandado na Operação Pretorianos 2
Reprodução
Em uma delas, Gutemberg escreveu sobre uma possível ação no Centro da Cidade.
"Hoje vão no Centro. Na Rio Branco. Altura da Cinelândia, já me passaram", alertou.
Carneiro disse:
"Não sei quem é"
Gutemberg enviou um endereço no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste, e disse:
"Estão caçando um aberto", referindo-se a um bingo clandestino, segundo os investigadores.
Depois, Carneiro sugeriu um possível alvo para a polícia no Alto da Boa Vista, às 12h. Em seguida, mandou os policiais para Ipanema para atuarem contra um grupo rival.
"Não é nosso não, pode pegar"
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Negociação de propina
Em outra troca de mensagens, Carneiro diz que vai pegar uma "parada" para Gutemberg e faz um pedido:
"Me manda uma conta aí"
Gutemberg respondeu, e em seguida Carneiro completou: "
"Tem mil (R$ 1 mil) pra você"
Gastos com segurança
Segundo as investigações, Rogério de Andrade mantinha uma equipe de segurança pessoal composta por 36 integrantes.
A folha de pagamento ultrapassava R$ 207 mil por mês, com salários que variavam entre R$ 5,6 mil e R$ 7,6 mil — valores referentes a 2022
Entre os nomes identificados, está o de Carlos André Carneiro de Souza, que recebia R$ 5,6 mil mensais. Ele e Marcos Antônio de Oliveira Machado são apontados como parte do grupo.
Preso em cadeia federal
29 de outubro - Rogério Andrade, o maior bicheiro do Rio, é preso por mandar matar o rival, Fernando Iggnácio, executado em novembro de 2020.
JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
Rogério Andrade, patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, está desde novembro de 2024 no Presídio Federal de Campo Grande (MS), acusado de ter mandado matar Fernando Iggnácio.
Iggnácio, genro e herdeiro do contraventor Castor de Andrade, foi executado em 10 de novembro de 2020 em uma emboscada no Recreio dos Bandeirantes. Ele tinha acabado de desembarcar de um helicóptero, vindo de Angra dos Reis, na Costa Verde, e foi alvejado ao caminhar até o carro. Os tiros foram de fuzil 556.
Rogério é sobrinho de Castor de Andrade, um dos nomes mais conhecidos da contravenção carioca. Não herdou de pronto o espólio da contravenção com a morte do tio, em 1997. Coube a Paulo Roberto de Andrade, o Paulinho, filho de Castor, e a Fernando Iggnácio, genro do chefão, tocar o império.
Na divisão, Iggnácio foi cuidar dos caça-níqueis, e Paulinho passou a tomar conta das bancas do bicho. Rogério, porém, considerava ter direito à herança e passou a disputar território com Paulinho e Iggnácio.
Paulinho foi assassinado em 1998, crime atribuído a Rogério, que assumiu o negócio do primo e começou a avançar sobre o de Iggnácio.
Investigações da Polícia Federal mostram que a disputa entre Rogério Andrade e Fernando Iggnácio entre 1999 e 2007 resultou em 50 mortes — algumas foram de policiais, acusados de prestar serviços para os contraventores.
A Operação Pretorianos 1
MPRJ e Corregedoria cumprem mandados contra policiais ligados a Rogério Andrade
A Operação Pretorianos foi deflagrada em março de 2024 pelo Gaeco, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar e da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).
Além das 18 prisões, foram cumpridos cerca de 50 mandados de busca e apreensão. As investigações também identificaram o envolvimento de policiais que já haviam sido excluídos da corporação.
Segundo o Ministério Público, 31 pessoas foram denunciadas pelo crime de organização criminosa.
De acordo com o Gaeco, os policiais e outros integrantes do grupo se intitulavam “Vampiros” e atuavam para proteger o contraventor, interferindo em operações policiais e monitorando agentes públicos.
As investigações apontam que o grupo também intervinha em disputas territoriais pelo domínio do jogo do bicho. Parte das provas foi obtida a partir da análise do celular de Márcio Garcia da Silva, conhecido como Mug, apontado como integrante do núcleo de gestão da organização criminosa.
Em uma das conversas citadas pelo MP, Mug menciona a necessidade de simular uma ação policial para criar a aparência de combate ao crime. Segundo os promotores, esse tipo de prática servia para manter índices de apreensão elevados, sem atingir de fato as atividades ilegais do grupo.
A denúncia também relata episódios de monitoramento de agentes públicos, com registros de fotos e acompanhamento de veículos que circulariam próximos à residência de Rogério Andrade.