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      Cineasta Silvio Da-Rin, ex-secretário de Lula, morre aos 77 anos

      Silvio Da-Rin Reprodução/FGV O cineasta, documentarista e gestor cultural Silvio Da-Rin morreu aos 77 anos, na madrugada desta quinta-feira (29), no Rio de Ja...

      Cineasta Silvio Da-Rin, ex-secretário de Lula, morre aos 77 anos
      Cineasta Silvio Da-Rin, ex-secretário de Lula, morre aos 77 anos (Foto: Reprodução)

      Silvio Da-Rin Reprodução/FGV O cineasta, documentarista e gestor cultural Silvio Da-Rin morreu aos 77 anos, na madrugada desta quinta-feira (29), no Rio de Janeiro. De acordo com familiares, ele estava internado havia um longo período. A causa da morte não foi informada. O cineasta foi secretário do Audiovisual no governo Lula entre 2007 e 2010, quando Gilberto Gil era ministro da Cultura. Em nota, o ministério (MinC) manifestou "profundo pesar". "Intelectual comprometido com o pensamento crítico e com a preservação da memória audiovisual brasileira, ele deixa um legado imensurável para cinema nacional e para as políticas públicas voltadas ao setor", diz a nota. Carioca, nascido em 1949, Silvio Da-Rin construiu uma trajetória marcada pela defesa do cinema brasileiro e pelo uso do documentário como instrumento de reflexão sobre a história política e social do país. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ao longo da carreira, atuou como diretor, técnico de som e formulador de políticas públicas para o setor audiovisual. Antes de se firmar como diretor, Da-Rin teve atuação extensa nos bastidores do cinema nacional. Como técnico de som, participou de cerca de 150 produções, incluindo títulos importantes da retomada do cinema brasileiro, como "Pequeno Dicionário Amoroso", "Villa-Lobos, Uma Vida de Paixão" e "Quase Dois Irmãos". Na direção, estreou em 1980 com o curta "Fênix", que reuniu depoimentos de artistas e intelectuais sobre a repressão durante a ditadura militar. Em seguida, realizou obras como "O Príncipe do Fogo", premiado no Festival de Gramado, e "Igreja da Libertação". O reconhecimento mais amplo veio com o documentário "Hércules 56" (2006), que reconstitui o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, em 1969, episódio marcante da resistência ao regime militar. Em 2012, lançou o documentário "Paralelo 10", que retratou as dificuldades enfrentadas pelos índios nativos na Amazônia. Silvio Da-rin percorreu a floresta em busca de tribos isoladas da Amazônia. Divulgação Atuação em políticas públicas Além da produção cinematográfica, Silvio Da-Rin teve papel relevante na formulação de políticas públicas para o audiovisual. Como secretário do Ministério da Cultura, participou da implementação de programas voltados ao fortalecimento da produção independente e à ampliação do conteúdo brasileiro na televisão. Da-Rin também presidiu a Federação de Cineclubes e integrou a Associação Brasileira de Documentaristas. Na área acadêmica, deixou como referência o livro Espelho partido – tradição e renovação do documentário cinematográfico, derivado de sua pesquisa de mestrado na UFRJ. O velório está previsto para sexta-feira (30), às 16h, no Cemitério São Francisco de Paula, no bairro do Catumbi, no Centro do Rio. Repercussão Em nota, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) manifestou pesar pelo falecimento do cineasta. Da-Rin foi Gerente Executivo de Articulação Internacional e Licenciamento da EBC entre 2010 e 2012, com contribuição ativa para o fortalecimento da comunicação pública. Veja a íntegra da nota do Ministério da Cultura: "O Ministério da Cultura (MinC) manifesta profundo pesar pelo falecimento do cineasta, documentarista e gestor público Silvio Da-Rin, aos 77 anos, nesta quinta-feira (29). Intelectual comprometido com o pensamento crítico e com a preservação da memória audiovisual brasileira, ele deixa um legado imensurável para cinema nacional e para as políticas públicas voltadas ao setor. Carioca, Silvio Da-Rin construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao documentário como ferramenta de reflexão sobre a história, a política e a sociedade brasileira. Iniciou sua carreira como técnico de som e integrou equipes de aproximadamente 150 produções audiovisuais, consolidando-se como um profissional de referência nos bastidores e na criação cinematográfica. Como diretor, assinou obras fundamentais do documentário brasileiro, muitas delas reconhecidas e premiadas no Brasil e no exterior. Entre seus trabalhos mais emblemáticos está o longa-metragem Hércules 56 (2006), que revisita o sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969, episódio central da resistência à ditadura civil-militar e que resultou na libertação de 16 presos políticos brasileiros. O filme tornou-se referência ao articular cinema, memória e política, reafirmando o compromisso de Da-Rin com a construção de uma narrativa crítica sobre o país. Além de sua atuação como realizador, o cineasta teve papel fundamental na formação e no pensamento sobre o documentário. Em 2004, publicou o livro Espelho Partido – tradição e renovação do documentário cinematográfico, a partir de sua dissertação de mestrado na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), obra considerada leitura essencial para pesquisadores, estudantes e profissionais do audiovisual. Da-Rin também se destacou na esfera institucional. Participou ativamente da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD) e, entre 2007 e 2010, esteve à frente da Secretaria do Audiovisual do MinC, período em que contribuiu de forma decisiva para o fortalecimento das políticas públicas do setor, o incentivo à produção independente e a valorização do cinema brasileiro em sua diversidade estética e regional. Neste momento de luto, o Ministério da Cultura se solidariza com os familiares, amigos, colegas de trabalho e com toda a comunidade audiovisual brasileira, reconhecendo em Silvio Da-Rin um pensador e um cineasta comprometido com a ampliação do olhar do Brasil sobre si mesmo." A Riofilme postou em suas redes sociais uma nota de pesar: "O cinema brasileiro perdeu hoje um cineasta que fez do documentário uma lente para se refletir e entender o Brasil. O carioca Silvio Da-Rin fez do cinema documental um lugar de memória e pensamento sobre o país, com todas as suas riquezas e complexidades, em uma cinematografia profundamente política e integrada às questões profundas que permeiam a história e a sociedade brasileira. Da-Rin começou como técnico de som e assinou seu nome nos créditos de cerca de 150 filmes. Como diretor realizou obras que se destacam no documentário brasileiro, muitas delas premiadas internacionalmente. O longa-metragem “Hércules 56”, de 2006, distribuído pela RioFilme é um dos destaques de sua trajetória. O filme fala sobre o sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969. Uma ação política liderada por organizações da esquerda, como resistência à ditadura, que proporcionou a liberdade de 16 presos políticos brasileiros, que partiram para o exílio a bordo do avião da FAB Hércules 56. Em 2004, Silvio Da-Rin publicou sua dissertação de mestrado na Escola de Comunicação da UFRJ no livro: “Espelho partido - tradição e renovação do documentário cinematográfico”, uma obra referencial para quem estuda o cinema documental brasileiro. O cineasta teve também uma participação ativa na construção das políticas públicas para o audiovisual brasileiro, na Associação Brasileira de Documentaristas – ABD e quando, em 2007, assumiu o comando da Secretaria do Audiovisual, cargo que ocupou até 2010. Todo o nosso afeto aos familiares e amigos de Silvio Da-Rin nesta despedida."